sexta-feira, 11 de novembro de 2011

À ATENÇÃO DA "DUPLA" MERKEL/SARKOZY:


Troca de cartas publicadas na revista Stern.

Há algum tempo, foi publicada na revista Stern, uma “carta aberta” de
um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”,
com os seguintes título e sub-título:

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos,
agora tem de salvar também a Grécia!

Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro,
agora, em vez de fazerem economias, fazem greves

Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família.
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum,
com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca
de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de
qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.
O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro.
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até
agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o
povo que mais gasta em bens de consumo
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa
através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a
responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a
responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir
aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os
gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm
tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e
dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.
Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram,
não vão mais adiante!!!

Na semana seguinte, a Stern publicou uma carta aberta de um grego,
dirigida a Wuelleenweber:

Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado
público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os
meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que
por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um
número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de
vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos
concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os
principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas,
infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais),
telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço
de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos,
dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são
fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo
desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes
empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos
políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns
quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados
de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência,
espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te
a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE,
da JUSTIÇA e do CORRECTO.
Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou.
QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter
saldado as suas obrigações para com a Grécia.
Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a
Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações
estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que
ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que
ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da
Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares
durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações,
perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas,
pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o
determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de
dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960
gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil
mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na
Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., et.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos
ideais humanísticos da cultura grega.
Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se
incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros
anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas
continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque
cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos
sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos
viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de
comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta
situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de
vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as
suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da
Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais
de onde.
Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União
que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos
se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens
industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já
que vocês também disso são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!
Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados,
que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de
Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao
lado das obras dos meus antepassados.
Cordialmente,
Georgios Psomás

Apetece dizer:
toma e vai-te curar!
(in Anónimo Sec XXI)

sábado, 5 de novembro de 2011

Há mais vida para além de…

A célebre e oportuna frase do anterior PR, Jorge Sampaio: “ Há vida para além do orçamento”, foi agora replicada pelo” ainda” Ministro da Economia, O Álvaro, com uma tonalidade diferente: “Há mais vida para além da austeridade”.

Se, Álvaro Santos Pereira, foi - e ainda será - um excelente estudioso, que muitos bons livros escreveu sobre a nossa Economia enquanto professor universitário no Canadá, agora, tem tido umas saídas bombásticas, como a de sugerir - quando falou ao povo pela primeira vez, como Ministro - que o tratem por Álvaro, e não por Senhor Ministro. E mesmo trabalhando muito, não temos entendido – talvez defeito nosso – nada do que tem feito a bem da nossa Economia. Parece um imenso Ministro, com um tremendo Ministério, por certo melhor organizado que muito outros, mas que não parece – erro nosso!? – estar a fazer o que esperávamos fizesse. E frases bombásticas, já soam mal, como a da senhora Ministra deste Governo - também quando falou ao povo pela primeira vez como Ministra - que decretou que os homens não podem usar gravata para evitar ligar o ar condicionado, e como será agora, que vem aí o Inverno?.

Bem, mas por certo de ambos ainda veremos muita “obra” na Economia, nas Pescas, na Agricultura, no nosso País, uma vez que, é para “isso” que lá estão.

E, voltando ao “Há mais vida para além de…”, sem duvida que há. Mas, sem duvida que nós, todos, estamos demasiado focados em algum aspecto concreto da nossa existência, que nos ocupa de tal forma o espírito, que não temos, nem vemos, mais vida, para alem de.

E por muito que se pense que se está sempre a bater na mesma tecla, não tenhamos duvidas que a nossa comunicação social ajuda muito a centramos a vivencia diária em aspectos sensacionalistas, que podem não determinar o que mais deveria ser o objecto de focagem, no nosso presente e no futuro.

E agora, como é o que está a dar, a centralidade da maioria dos nossos jornais, dos nossos telejornais, das nossas rádios, é o OE 2012, e na trapalhada toda que por lá anda, e: não há mais vida para além do deficit, nem da austeridade.

E depois criamos em nosso torno, cada dia, por influências longínquas ou mais próximas, algo que não nos deixe ver que, de facto: Há mais vida para além de…

Assim sendo, vamos todos não conseguindo ter horizontes mais alargados, e nas nossas televisões conseguimos só ver muito de bom que ainda fazemos, que ainda nossos concidadãos fazem cá dentro e lá fora, se tivermos “força” para ter a televisão sem som na 1ª hora do telejornal, e na ultima ligarmos o som, e vemos que : Há mais vida para além de…OE 2011, deficit, austeridade, tragédia, desgraça, infortúnio…

E o mesmo, se conseguirmos não estar focados na maioria das primeiras paginas, da grande maioria dos jornais que vemos, na grande maioria das nossas bancas.

Mas se assim continuarmos, sem dúvida que não temos mais vida para além da penúria efectiva que vai ser o ano 2012, e “depois” os seguintes. E claro que vai ser tudo muito difícil, e claro que a grande maioria, vamos ter que ainda mais apertar o cinto, até sem mais o conseguirmos fazer. E vamos nos ver gregos. Não vamos conseguir tentar igualar os irlandeses. E vamos focando-nos no nosso fado, na nossa saudade, na nossa vitimização, que é que dá notícias, o que abre telejornais e o que nos desgraça mais do que já estamos.

Ainda: Há mais vida para além de…se quisermos assumir que ter tudo do bom e do melhor não é possível, que querermos estar com “ter” sempre mais do que o nosso vizinho, acabou. Que seguimo-nos pelas orientações trágicas de algumas notícias e de quem as faz, não tem futuro.

Mas, entre o mau momento a que chegámos e o futuro: Há mais vida para além de…do deficit, da austeridade, da tragédia, dos telejornais deprimentes, de telenovelas que nada nos ensinam, de programas sem conteúdo, de tragédias complicadas, que nos ofuscam a nossa vida, já não fácil.

Há mais vida para além de, se quisermos apostar em avançar, talvez fazendo o inverso, hoje, do que foi feito nos últimos 35 anos, ou seja, fazendo mais, poupado mais, investindo mais, assumindo culpas e não as atirando só para os outros, sabendo que temos direitos mas também temos deveres, sabendo que temos que ser educados, que não é unicamente ser instruídos – mas também, sendo muito instruídos - , sabendo que a vida faz-se de um conjunto de situações, boas, menos boas e más, e que todos teremos que ajudar, e não só os outros. E haverá mais vida para além de….., mas todos temos que ajudar, com deveres e também com direitos, e com menos conversa!


Augusto Küttner de Magalhães

Outubro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uma raiva a nascer-me nos dentes?
Nicolau Santos. Expresso, ediçao de 15 de Outubro 2011.
Sr. primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho. V.Exa. dirá que está a fazer o que é preciso. Eu direi que V.Exa. faz o que disse que nao faria, faz mais do que deveria e faz sempre contra os mesmos. V.Exa. disse que era um disparate a ideia de cativar o subsídio de Natal. Quando o fez por metade disse que iria vigorar apenas em 2011. Agora cativa a 100% os subsídios de férias e de Natal, como o fará até 2013. Lançou o imposto de solidariedade. Nada disto está no acordo com a troika. A lista de malfeitorias contra os trabalhadores por conta de outrem é extensa, mas V.Exa. diz que as medidas sao suas, mas o défice nao. É verdade que o défice nao é seu, embora já leve quatro meses de manifesta dificuldade em o controlar. Mas as medidas sao suas e do seu ministro das Finanças, um holograma do sr. Otmar Issing, que o incita a lançar uma terrível puniçao sobre este povo ignaro e gastador, obrigando-o a sorver até a última gota a cicuta que o há de conduzir a redençao.
Nao há alternativa? Há sempre alternativa mesmo com uma pistola encostada a cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e nao dos credores que nos querem extrair até a última gota de sangue. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse a lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele explicasse aos Césares que no conforto dos seus gabinetes decretam o sacrifício de povos centenários que Portugal cumprirá integralmente os seus compromissos ? mas que precisa de mais tempo, melhores condiçoes e mais algum dinheiro.
Mas V.Exa. e o seu ministro das Finanças comportam-se como diligentes diretores-gerais da troika; nao tem a menor noçao de como estao a destruir a delicada teia de relaçoes que sustenta a nossa coesao social; nao se preocupam com a emigraçao de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados; e acreditam cegamente que a receita que tao mal está a provar na Grécia terá excelentes resultados por aqui. Nao terá. Milhares de pessoas serao lançadas no desemprego e no desespero, o consumo recuará aos anos 70, o rendimento cairá 40%, o investimento vai evaporar-se e dentro de dois anos dir-nos-ao que nao atingimos os resultados porque nao aplicámos a receita na íntegra.
Senhor primeiro-ministro, talvez ainda possa arrepiar caminho. Até lá, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes.

Primavera Árabe ou Primavera Islamista ?



Primavera Árabe ou Primavera Islamista? (Parte I – o equívoco das grelhas de leitura ocidentais)



por José Pedro Teixeira Fernandes



1. As revoltas ou revoluções que as populações de diversos países muçulmanos, da margem Sul do Mediterrâneo, levaram a cabo desde o início de 2011 têm sido entusiasticamente vistas, por grande parte da imprensa europeia e ocidental, como uma “Primavera Árabe”. A expressão tem uma boa ressonância para o público europeu, evocando diversas imagens históricas e acontecimentos quase míticos do seu passado. O apelo desta forma de designar os acontecimentos, está, também, numa certa nostalgia, na recordação de tempos heróicos e de bravura. Nesse passado, cada vez mais distante para os europeus, estes ainda se revoltavam contra a tirania e os seus regimes autoritários, em nome de valores mais grandiosos do que os da lógica hedonista-materialista em que vivem, ou do “valor” da competitividade que os seus governos lhe dizem ser o único caminho possível. A expressão “Primavera Árabe” é, por isso, uma evocação sublime e tocante de outras "primaveras" europeias. Desde logo, a “Primavera de Praga”, ocorrida na ex-Checoslováquia, no ano 1968, numa revolta contra a opressão e autoritarismo do regime comunista. Esta foi celebrizada na literatura pela obra do escritor checo, Milan Kundera, “A Insustentável Leveza do Ser”, mais tarde adaptada também ao cinema por Philip Kaufman. Foi precursora, em duas décadas, da revolta dos países da Europa Central e de Leste, que levaram à queda do muro de Berlim (1989) e à dissolução do Império Soviético (1991). Todavia, a designação “Primavera de Praga”, um acontecimento da segunda metade século passado, já foi, ela própria, um remake de uma outra Primavera, esta ocorrida no século XIX, a que os historiadores chamaram a “Primavera dos povos” de 1848. Nessa época, desencadeou-se um conjunto de revoltas e revoluções, baseadas num misto de revindicações liberais, democráticas e nacionalistas, ocorridas em grande parte da Europa contra as monarquias tradicionais e os Estados multinacionais governados por dinastias como os Habsburgos do Império Austríaco (mais tarde Austro-Húngaro).


2. Com este quadro mental bem enraizado, o europeu e ocidental interpreta, ainda que o possa fazer de forma inconsciente, a evolução histórica dos outros povos do mundo como decorrendo em direcção a uma finalidade, que é similar à sua própria evolução histórica. Assim, os povos não europeus e não ocidentais – neste caso os árabes –, estarão também destinados, mais tarde ou mais cedo, a ser como nós: a querer a democracia (pluralista e secular), a liberdade (política, de opinião, religiosa, etc.), os direitos humanos (tal como estão inscritos na Declaração Universal das Nações Unidas de 1948). Esta visão teleológica da história, misturada com o wishful thinking de que o rumo dos acontecimentos será no sentido da “boa” evolução da humanidade (pelo menos assim julgam os europeus), levou a imaginar mais uma “primavera”, agora replicada na margem Sul do Mediterrâneo. A questão é saber se este não é um dos mais comuns e enganadores equívocos de leitura dos acontecimentos internacionais, que, em vez de clarificar, não contribuirá, sobretudo, para obscurecer a compreensão de uma realidade que nos é essencialmente estranha. (Fim da Parte I).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Indignados chegaram a Wall Street

Várias pessoas têm tentado perceber o que estará por detrás dos movimentos dos Indignados, que têm vindo a manifestar-se, ao que parecia só “contra tudo e em favor de nada”. Muitos pensámos que estes indignados, maioritariamente jovens que protestavam em Atenas, Londres, Madrid, Barcelona, Porto, o faziam “por fazer”. Vestindo-se desleixadamente, não tomavam banho, ficavam “para ali”, cheiravam mal, e “para ali ficavam”.

Agora, começaram também a existir nos EUA, e começamos a entender que têm mais que motivos para assim se comportarem. Espera-se que consigam ajudar a encontrar soluções, para tudo mudar, dado que “isto assim, não pode continuar”.

Convém não querer esquecer que o Norte de África também entrou em contestação. Mas, não tenhamos dúvidas que a Ocidente não existem, nem se vislumbram lideres preparados para minimamente resolver a actual Crise. São todos – pena nossa – muito maus, fazem mais do mesmo, ou seja o que outros bons, fizeram noutros tempos, com outra dignidade. Hoje, nada disto está a acontecer. Quem não sabe, nem tem carisma, não consegue! Evidentemente.

Hoje já não temos quaisquer dúvidas que os bancos foram aproveitando as duas últimas décadas de desregulação total para muitíssimo crescer, para pagar exorbitâncias aos que achavam saberem governá-los – aos bancos...- , e foram ganhando, ganhando, ganhando. Hoje, secaram tudo em seu redor e estão uns quantos muito ricos, não os bancos – instituições – mas os que com eles lucraram. Claro que se trata de uma percentagem mínima de potentes a Ocidente, que através dessa ganância desregulada, desregulamentada, empobreceram a maioria das populações Ocidentais, e enriqueceram-se!

Mas, mais grave, os que hoje estão tão bem instalados nesta abundância, nem sonham, em baixar um pouco. A bem!

E em simultâneo uns quantos bem falantes economistas, políticos e intelectuais “do momento”, vivem também nesse “isolamento soberbo superior” , dando, ainda mais, conselhos aos outros, a nós, aos diminuídos monetária e pelos vistos mentalmente. Como se só agora aparecessem em cena, como já não andassem pelo Ocidente, há mais de duas décadas, a pegar soluções milagrosas e muito intelectuais..

Os jovens estão por todo o a lado a manifestar-se, e têm razão: estudaram, esforçaram-se, quiseram fazer tudo para a bem terem um futuro e já nem “no hoje, estão bem”! Os muito, muito maus serão 10% os restantes 90% são de primeira água. Logo terão razão, 90%!

E os pais – a grande maioria - já não sente segurança futura – hoje - , e na hora em que os filhos estão, estariam, preparados para se fazerem à vida, não têm como, por onde, aonde, com quê.

O desemprego de todos estes jovens, por todo o Ocidente, pela África do Norte, e de todos os que seguirão, a total falta de perspectivas, não de enriquecerem mas de ganharam para estar vivos, e viverem, trabalhando, foi-se. Assim, a única alternativa é indignarem-se, é mostrarem o seu desanimo, e se os que ainda são poderosos e ricos, bem como os ditos intelectuais que tudo sabem, que mais não fazem do que se manter as si e aos seus numa “mesma redoma”, não abdicarem - a bem - de boa parte do que têm, se não olharem – com olhos de quer bem ver – para baixo, sem arrogância, com humildade, e não querendo dar gorjetas, não tendo de fazer de bonzinhos, mas antes investirem e muito na criação de empregos, de riqueza, isto vai rebentar e muito rapidamente. Para todos, até para esses ricos/poderosos!

Estamos no fim da linha, e os Indignados, estão a sofrer na pele a incompetência, a arrogância, a “sem vergonha” de uns quantos que quiseram ser potentemente os Senhores do Ocidente. E todos mais velhos vamos, já estamos também a sofrer! Se nada mudar, se se começar verdadeiramente a passar fome, se os pais não tiverem dinheiro para se alimentar-se e aos seus filhos, tudo vai acabar muito mal. E não é no futuro - lá distante - é já amanha!


Augusto Küttner de Magalhães

Outubro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

As noites do Porto, com vida, mas com selvajaria


As noites do Porto, com vida, mas com selvajaria



Ainda bem que entre as 5ªs feiras à noite e os domingo de manhã, o Centro do Porto, passou a ter vida, passou a ter juventude a"estar" a divertir-se, a falar, a ouvir musica...mas também a beber um pouco excessivamente, e também a deitar tudo o que seja lixo, copos, garrafas, papeis, para tudo o que seja sitio.....e urinar, onde bem lhes apeteça, tal como fazem os cães e cadelas, quando os donos os levam a passear, para despejar/aliviar no exterior as suas necessidades fisiológicas.

Tudo tem um limite, e a decência ou a falta da mesma, é algo que já ultrapassou o admissível.

Claro que com carinho e algum amor, os jovens devem permitir-se fazer amor, não só mas também sexo, antes - também - do casamento, claro que nas mesmas condições os jovens devem poder ver-se nus, ou bem vestidos, Claro que a liberdade consentida e assumida deve em tudo ser uma constante. Mas haja respeito, haja dignidade, haja bom senso, haja educação - não pesa, não ocupa espaço, não custa dinheiro...

Não será de impor regras que lembrariam o antes do 25 de Abril, mas também os excessos, não ficam bem, e de repente dá para pensar se todos estes jovens saem para se divertir, para estarem juntos, para falar, para curtir, ou antes e só, para se embebedarem, para fazerem sexo e no dia seguinte nem sequer se lembrarem que fizeram, se tiveram algum prazer e com quem.

Se se embebedaram tanto - ou/e usaram mais substâncias - que antes de serem transportados para casa tiveram que ir recuperar a uma qualquer urgência de um hospital próximo, se urinaram - eles e elas!! - em tudo que é sitio, se sujaram tudo, e se terão incomodado tanta gente, que o divertimento passou a selvajaria pura e dura.

Os jovens têm que fazer tudo o que se coaduna com as suas idades, devem aproveitar serem jovens, dado que o somos uma só vez na vida, mas não devem baixar o nível de tal forma que passam a ter comportamentos que nem os cães têm, dado que - estes - se urinam na via publica é por não terem locais apropriados onde o fazer, se ladram é por não saberem de outra forma se expressar. Se fazem sexo, quando com cio, é para a espécie, não acabar....nós não é só para fazer meninos, logo, deve ser sentido.....

E as Pessoas - jovens, menos jovens ou velhos, mas aqui são jovens, os velhos mexem-se menos, face à velhice!!! - se não conseguem despejar uma garrafa ou um copo vazio nos locais indicados ,devem ter que aprender que há, por algum motivo, uma diferença entre cães, cadelas, homens e mulheres.

E a partir de um certo limite, tem que haver a intervenção da autoridade, para isso existe, ou então pura e simplesmente acaba-se com tudo o que seja policias, e pronto, meia bola em força, que se safe o mais forte...e está tudo resolvido..força..em frente....

Temos que saber viver a vida com dignidade, temos que nos saber respeitar, para os outros respeitar, temos que viver a vida com gosto e até com prazeres, mas nunca esquecendo que somos seres humanos, e que por isso devemos ser mais e melhores que todos os outros seres vivos.

Esta é ou deve ser, a nossa diferença, e aí compete a todos saber melhor estar: pais, educadores, professores, autarcas - que podem acumular com os anteriores - , médicos, policias...todos devem fazer parte da solução. Ou não e entremos na deterioração total de Pessoas, passando a animais, abaixo de cães...


Augusto Küttner de Magalhães

Outubro de 2011


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A. Küttner

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Como a União Europeia se tornou refém do seu próprio modelo de integração



Como a União Europeia se tornou refém do seu próprio modelo de integração




por José Pedro Teixeira Fernandes


1. A actual crise financeira e económica iniciou-se em 2007/2008 no sector financeiro e imobiliário dos EUA, em mercados a funcionar de forma livre e competitiva e (teoricamente) eficiente. Resulta inquestionável, para qualquer observador imparcial, que o falhanço foi dos próprios mercados. Todavia, paradoxalmente, o que teve origem num falhanço dos mercados e numa competição/competitividade destrutiva (notoriamente não ética) nos sectores imobiliário e financeiro, foi transformado, rapidamente, um pouco por toda a Europa, num problema de excesso de Estado e de falta de competitividade. Por outras palavras, uma crise que, na sua origem, teve os excessos destrutivos do capitalismo, está a ser aproveitada pelos defensores da ideologia (neo)liberal para reverter a questão a seu favor. Afinal, o que houve, dizem-nos, foi... falta de mercado e de capitalismo competitivo!? Como foi possível convencer uma parte significativa, se não mesmo maioritária, da opinião pública europeia e portuguesa desta “inverdade” e de que a via para a saída da crise é (ainda) mais capitalismo (competitividade, privatizações, flexibilização da mão-de-obra etc.)?


2. No cerne do problema está o modelo de integração das Comunidades/União Europeia e a maneira como a Europa unificada foi construída. Face à impossibilidade de instituir, à partida, uma unificação política de tipo federal, foi usando a integração económica de forma instrumental para atingir esse objectivo,: primeiro união a aduaneira (1968), depois o mercado único (1993), mais recentemente a união económica e monetária (2002). Essa integração baseou-se num modelo económico de tipo (neo)liberal – inequívoco nos avanços da integração a partir dos anos 80, com o mercado único e a moeda única. As implicações deste modelo de integração foram que a União Europeia o inscreveu nas suas instituições e políticas, ficando refém dos seus dogmas: desregulação dos mercados nacionais, total liberalização dos movimentos de capitais, privatizações, flexibilização do mercado de trabalho, moeda única, etc. Consequência: a integração europeia converteu-se no melhor seguro de vida que o capitalismo (neo)liberal alguma vez poderia imaginar em alturas de crise. Ao atacarem-se os seus dogmas, procurando outras formas de actuação governativa, é inevitável por em causa a União Europeia. Ora, por em causa a União Europeia é uma heresia para a maioria das elites políticas económicas que nos governam (não de forma desinteressada, sublinhe-se, pois tiram grandes vantagens deste modelo). Outra consequência: a simbiose efectuada nas últimas décadas entre “mais Europa” e “mais capitalismo (neo)liberal” globalizado, usado como cimento usado para a integração europeia, deixou a União e os Estados-Membros reféns deste modelo, que, tudo indica, está esgotado na sua capacidade de produzir bem-estar. A única possibilidade é a “fuga para frente”. Os que (ainda) acreditam nas virtudes de um capitalismo globalizado exacerbado e da ideologia da competição/competitividade perceberam bem isso. Habilmente repetem até à exaustão que Portugal deve ser um “bom aluno” e executar (acriticamente) o acordo com a chamada troika (BCE, Comissão e FMI). De facto, estão a ter uma oportunidade única de impor as suas ideias sem oposição de relevo.



3. Tudo isto seria apenas um caso curioso, se não se estive a tornar também trágico. Construir a Europa usando quase só a economia de mercado como cimento – e especialmente a moeda única para tornar inevitável uma união política –, está a mostrar-se um erro de enormes proporções. Esvaziou, em alturas de crise como a que vivemos, os Estados nacionais dos instrumentos monetários e cambiais clássicos. Não diminui a heterogeneidade entre a Europa do Norte a do Sul. Tornou as eleições democráticas praticamente inúteis do ponto de vista das grandes escolhas governativas, pois o caminho já está traçado. Infelizmente ainda pode acontecer pior. Ao previsível afundamento Grécia outros seguirão e Portugal está na primeira linha das vítimas do turbilhão que se aproxima cada vez mais.