quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Opinião de Vasco Pulido Valente

A Confusão por VPV


Mais uma Opinião maldizente e acertada de Vasco Pulido Valente (VPV) no Público de 18.12.2011.

Uma das frase de VPV, que espelha o nos está a acontecer: “ Toda a gente procura ansiosamente perceber (e não consegue) o esotérico palavreado dos peritos, que em seis meses se multiplicaram por toda a parte, cada um com a sua sabedoria e a sua receita”.

Sem dúvida que não temos a mínima ideia do que nos vai acontecer e já a partir de 2 de Janeiro, próximo. Tudo parece possível vir a acontecer: A CP não pagar salários, a TAP não pagar subsídios de férias e natal, os privados deixarem de pagar os salários na totalidade aos seus trabalhadores, o Estado não ter dinheiro para pagar reformas e pensões, o desemprego disparar desatinadamente, os transportares públicos irem parando, as crianças quase deixarem de nascer, cá.

Isto deve-se aos palpites de todos os “entendidos” neste nosso País. E a dada altura fica-se com a impressão – para não dizer a certeza – que cada um em aflição, está unicamente a defender, a zelar, pelo seu lugar – para que não perder o seu emprego, o seu posto, os outros, logo se verá, ou nem por isso. Ele são os economistas que fazem imensos estudos, e previsões, sem quaisquer certeza – evidentemente - que se contradizem, mas vão mostrando cada vez mais desses estudos, uma vez que não vão dando certo , fazem -se outros, a ver, se é desta. E todos neste país, já sabemos tanto “termos” de economia e finanças.

Os autarcas que se acham todos insubstituíveis e infundíveis, que dizem o que os próprios querem ouvir. E, seguem-se todos os que pensem que o seu posto de trabalho – essencialmente se publico – possa vir a ser extinto - , a troika manda - , e assim passam a “sua sabedoria, a sua receita” e ninguém os entende, porventura nem eles próprios.

A outra frase de relevo de VPV, é: “ No meio disto, com tranquilidade e doçura, Passos Coelho aumenta dia a dia a confusão, como se qualquer um de nós aí pela rua soubesse perfeitamente o que se passa e fosse capaz de medir as consequências de cada nova trapalhada”. Sem dúvida que Passos Coelho, será, ou quererá passar a imagem de simpático, mas a única que é perceptível é que cumpre as ordens ao milímetro da Sra. Merkel, mas com um problema, ela explica-lhe o que ele nos tem que fazer, e ele não nos quer ou não sabe explicar.

Como ninguém nos quer explicar, ou não sabe, detalhadamente a situação em que estamos – sem culpas e culpados, ou se sim, e prendam-nos, a todos – e o caminho que temos a seguir, vamos ouvindo aqui e além, essencialmente à entrada ou a saída de eventos em que participam – PM, Ministros e até PR - e nunca em locais e momentos adequados, umas frases soltas, descontextualizados, com avisos e recados. Todos o fazem e é muito mau.

E outros pensam que fazem-nos acreditar que tudo vai funcionando e nós vamos entendendo o contrário. Em tudo!

Esta falta ou total incapacidade, por parte essencialmente do Governo – a oposição é má, má! Só! - , faz-nos aumentar as duvidas que já temos e mais umas quantas, como: vão acabar afinal todas as reformas e pensões, e o SNS, o desemprego vai disparar sem controlo, a desordem vai cair nas ruas, os assaltos, os roubos, o euro vai-nos pôr fora? Ou seja, será que dentro de um ano, em Dezembro de 2012, ainda existiremos como País, como Europa? Com dinheiro para comprar pão?

Se já ninguém tem saudades de José Sócrates - os que dizem ter, será da boca para fora, e são poucos! - e esperava-se que estivesse mais caladinho do que está, falou sempre muito! – mas Passos Coelho arrisca-se a seguir a mesma “via” não por falar sempre, sempre, mas essencialmente por falar de mais quando o não deve fazer, e de menos quando o tem que fazer. E ninguém entende, nada, nada, nada. E a comunicação social ajuda a confundir!

Ajudem-nos e não aumentar a Confusão, mereçam os Vossos cargos, falem pouco mas bem, digam, expliquem, mesmo que seja desagradável o que nos têm a dizer. Não somos burros entendemos se nos explicarem.


Augusto Küttner de Magalhães

Dezembro de 2012.

domingo, 18 de dezembro de 2011

EDP / Fundação - Porto - Expo - Diário - 17.12.2011



Na Fundação EDP - Porto, pudemos assistir à inauguração em 17 de Dezembro, de uma muito interessante exposição, que nos mostra o nosso País em fotografias, pelas fotografias. Fotografias com Pessoas, junto a outras Pessoas, junto a objectos, junto a prédios, casas, vidas!

Uma forma excelente de vermos fotograficamente o nosso País, sem nacionalismo, mas com realismo, sem fado, mas com oportunidade, com imagens recolhidas por quem o sabe fazer, durante o ano de 2010 - Centenário da Republica - por um grupo de fotógrafos reunidos no colectivo Kameraphoto.

E lendo o prospecto muito bem elaborado para o efeito por João Pinharanda , são oportunas estas passagens:

" ...foram 365 dias a olhar de um modo especial para o corpo múltiplo da realidade em movimento que é um país. Com esse trabalho o colectivo elaborou um DIÁRIO. A obra possui a dimensão da intimidade e de reflexão, de segredo e de indignação, de poesia e de tristeza, de propostas e sonhos de todos os diários". " A fotografia cumpre assim o seu papel de documentar r mas também de comentar, intervir , desmultiplicando os caminhos propostos, mas também de libertar, abrindo o espírito ao futuro." " Percorremos esta exposição com a liberdade de não cumprirmos a cronologia de registo das imagens: percebemos que há linhas condutoras e saltos de humor, detemo-nos com episódios soltos ou seguimos pequenas narrativas, uma imagem choca-nos, noutra reconhecemos um rosto, rimo-nos de uma pose, admiramos uma paisagem. No final temos o puzzle de um país que, como um corpo, se encontra sempre incompleto...".

Até ao dia 4 de Março de 2012 é-nos possível visitar e revisitar estas fotografias, que projectam-nos e ao país, que nos fazem vermo-nos como de facto somos.

Augusto Küttner de Magalhães

18.12.2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Douro, e o Património Mundial....e!



O Alto Douro Vinhateiro foi classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, e é muito merecido. Sem sombra de duvidas. E tal implica que a beleza da Região, os produtos da Região: Vinho do Porto, Vinho de mesa, Azeite e Turismo sejam a definição da região. E têm sido. E faz parte de todos nós, essencialmente portugueses, em vez de estarmos em permanente auto -vitimização, agarrarmos nesta Região e tê-la como nossa e em simultâneo fazê-la conhecida por esse mundo fora. Já é, os EUA tem imensos dos seus cidadãos a vir cá todos os anos, só pelo nosso Douro.

E se estes títulos, são sempre vantajosos, não são tudo. Nós temos que ajudar a dizer bem, a fazer bem. e não podemos sempre que aparece uma notícia que faz muitas notícias, que hoje dá demasiado espaço e que amanha será substituída por outra e outra, faça com que algo muito nosso, que deve de todos ser conhecido, ficar-se por negativas opiniões, noticias.

Tanto podemos achar que a vantagem de passar a Região Classificada, seja importante , e possa ser desmontada de um momento para o outro, com motivos válidos ou com motivos de oportunidade.

Posto isto, vale ainda hoje ir - até por um só dia - até ao Douro, e fica-nos em conta se não tivermos que usar as vias que nos possam ser menos adaptadas ao nosso rendimento. E dar uma volta entre o Porto e a Régua - Peso da Régua - , andar a pé, aproveitando para fazer um almoço muito bom, muito em conta, muito simpático num restaurante muito barato, e continuando a andar a pé, verificando que as obras de requalificação da via junto ao Douro, estão quase acabadas, que temos o Douro - rio, agua, ali ao lado, e agora neste inicio de Dezembro de 2011, as uvas não estão lá, as vinhas estão quase sem folhas, mas estão lá, e o aspecto é muito invulgar.

Podemos, agora já de carro, seguir até ao Pinhão e sentimo-nos entre o Rio Douro, e aquelas lindas vinhas, aquelas casas antigas, as pontes antigas, e depois apesar de as noites apareceram depressa ir até Vila Real, a estrada antiga, não é das mais fáceis, mas fez-se bem. Chegados a Vila Real parar o carro, num local gratuito e andar a pé, ver a pé, - até têm umas árvores iluminadas de Natal , com parcimónia, estamos em crise - estar lá. Depois como já caiu a noite regressar ao Porto por uma via mais rápida, e claro que ficou , ainda, hoje , muito por ver do Alto Douro.

Mas se houver vontade de todos, em nos focarmos em todo o Douro, em pensarmos no Douro da foz até a Miranda do Douro, não teremos - todos, todos, tantos - que perder tempo com o Tua e sua barragem. Se perdermos , se acharmos que o importante é ficarmos todos focados na noticia de ter barragem no Tua, tirar barragem do Tua, cai Património, fica Património, estamos uma vez mais a bater na nossa cabeça, com noticias que podem ou não ter conteúdo, mas que fazem -nos, parece ficar tão contentes, por haver a suspeita de que fizemos mal e que podemos ficar com a Unesco contra nós.

Claro que devemos ter a Unesco connosco, claro que devemos defender o nosso Património, começando pela Ponte D. Maria - aqui no Porto - , que vai cair de podre por ninguém lhe dar atenção e vamos subindo pelo Douro e vendo aquela beleza, e vamos dizendo bem e não só apontado o mal. Para dizer mal de nós já chega toda a malta "lá de fora" que o faz, para não se ver ao espelho...aproveitemos o que temos e digamos bem do que é nosso, sem nacionalismos, mas com verdades...

Augusto Küttner de Magalhães

08.12.2011


--

Augusto Küttner de Magalhães

sábado, 19 de novembro de 2011

Em vez de Greves, exija-se uma União Europeia!



Nas alturas de grandes tensões ou de grandes desconfortos, os sindicatos para não perderem o pé convocam Greves, e todos os que se aproximam destas ideias, aderem às Greves. E se em dados momentos, que já terão duas décadas e mais, algumas -, nem todas, - as Greves, deram benefícios a quem as fez, hoje, não dão. Não tenhamos quaisquer dúvidas.

Como é uso dizer-se “não há dinheiro para mandar tocar um cego”, logo, por muita Greve que se faça, por muitas televisões a darem telejornais de hora e meia a duas horas sobre a Greve, a entrevistar todos e mais alguns e todos a dizerem o que é verdadeiro, que a vida está a ficar insuportável, não é pela Greve – hoje – que vai ficar suportável. Não tenhamos quaisquer dúvidas.

E com entusiasmo – espantemo-nos ou não! - , vamos vendo o filme da Grécia a repetir-se cá, e claro com os ânimos exaltados, vamos começar a assistir a distúrbios nas principais cidades deste País, e ninguém ficará por certo admirado. Concerteza o País – nosso e não do Governo, deste ou de qualquer outro – ficará ainda mais pobre.

O problema nunca se irá resolver com Greves, e as greves dos transportes públicos têm a vantagem de fazer outorgar outros a aderir a greves – os que dos transportes públicos dependem para se deslocar por não terem transporte próprio/individual.

E depois de feitas as greves, os grevistas ficam sempre felizes com a imensa adesão e os empregadores “arranjam” sempre um raio de uns números, em que quase ninguém aderiu. E as televisões, têm telejornais, em cheio. E no da seguinte, estamos todos mais pobres. Excepto os muito ricos, mas esses não somos nós.

Sendo a greve um direito, não é uma obrigação. Sendo a greve um direito, existem alternativas antes de a fazer. E hoje não havendo como ir por essas outras alternativas, por certo não será fazendo greves que os salários irão aumentar, que as pensões de miséria deixarão de o ser, que não nos irão “tirar” o 13º e o 14º subsídio, que se irão criar mais empregos.Claro que o que temos, está mal. Melhor, estás muito mal.

Mas, já vem de trás – e não só do Governo anterior…- e vai agravar-se se não houver vontade de querer ver e resolver o problema de frente. Ou temos uma verdadeira União Europeia, ou vamos todos sucumbir de vez, logo temos que exigir uma verdadeira União, e já! E se o conseguirmos, não serão necessárias Greves, o resto virá por acréscimo, o inverso é que já não será verdade!

Num mundo globalizado, que está a ser dirigido pelo Dinheiro e pelos interesses Económicos de alguns, não interessa, estar-se a pensar que por métodos ultrapassados se resolvem problemas que tinham - teriam ! - solução noutros tempos, mas hoje não terão. E se muitos dizem que os ricos um dia terão que ceder se não, não terão onde viver, desenganem-se que ainda há por aí muitas ditaduras que os recebem de braços abertos. Claro que é melhor estar aqui a Ocidente, mas o aqui Ocidente, pelo caminho que segue, entra – todo - em ditaduras, quer nos EUA quando Obama cair – com uns candidatos Republicanos, muito piores que o Bush filho - , quer aqui na Europa, com nacionalismos, com regressos gloriosos ao passado.

Ainda para mais, onde tantos nunca souberam - e nem querem saber - que a Europa tem tido muitas guerras, e que há pouco mais de 60 anos teve uma que tudo destruiu, e facilmente, hoje terá outra, e com ditaduras, é atear a gasolina espalhada, com um fósforo – ainda existem….fósforos e que livremente e com gozo, assim os queira utilizar.

As manifestações, em vez de Greves que tudo paralisam sem resultados, hoje - , deveriam ser junto a tudo que possam ser instituições a nível europeu que possam ter influência na Governação Europeia, como protesto por essa Governação ser uma palhaçada autêntica, de haver “tantas” instituições europeias, essencialmente em Bruxelas , que não têm qualquer poder, e que devem tê-lo. E que não pode ser a senhora da Alemanha, a mandar, o francês, é um pau mandado. E a crise, está a chegar a países que andavam escondidos a ver se não eram atingidos e já lá está: Áustria, Bélgica, e mais virão, e não são periféricos, não são os atrasados do Sul…..Não somos nós periféricos, é uma Europa desavinda! Em Crise.

Logo, haja empenho em exigir uma Europa Unida e Democrática sem ir para Greves que mais empobrecem, que tudo podem partir - ainda mais - , e chamar ditaduras, e guerras, e aí estamos “desfeitos” por muitas décadas…


Augusto Küttner de Magalhães

Novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

.Porque silenciam a ISLÂNDIA?.

Troika, ministros, presidentes, economistas,
jornalistas,
chanceleres, membros da
nato e da CE, comentadores, politólogos, génios das soluções já inventadas -
mas e o exemplo da Islândia ninguém pega nele?

Qual a razão?


Porque silenciam a ISLÂNDIA?


(Estamos neste estado lamentável por causa da
corrupção interna -pública e
privada com incidência no sector bancário - e pelos juros usurários que a Banca
Europeia nos cobra. Por isso, acho que era altura de falar na Islândia, na
forma como este país deu a volta à bancarrota, e porque não interessa a certa
gente

que se fale dele. Não é impunemente que não se fala da Islândia (o primeiro
país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como este pequeno
país

perdido no meio do mar, deu a volta à crise.

Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do
sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não
alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar.

Em **2007 a** Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento
excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se
afogou num oceano de crédito mal parado. Exactamente os mesmo motivos que
tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal.

A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante
muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas
"macaquices" bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no

ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal
detinha o 40º lugar).

País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então
governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o
país à miséria.

Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o
PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda. Claro que a usura deste organismo
não teve comiseração, e a tal "ajuda" ir-se-ia

traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para
cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das
famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de
350 Euros / mês ao FMI. Parte desta ajuda seria para "tapar" o buraco
do principal Banco islandês.

Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados
dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das
falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos
accionistas dos Bancos e seus credores.

E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora
aguentar com os seus próprios prejuízos.

O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo,
tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má
gestão bancária e a pactuar com as imposições

avaras do FMI.

Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização
de novas eleições.

Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a
eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta
classe política que os tinha levado àquele estado de penúria. Um partido
renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o
Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63
deputados da Assembleia).

O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha.

Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo:
aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa

em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de

ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer,
pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa islandesa) e ter o

poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental.

Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável
aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa. Os cortes na
despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não "estragar" os
serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o

que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo
dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado.

As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e
conseguiram os tais empréstimos de que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a
pagar nos tais 30 anos. O FMI não tugiu nem mugiu. Sabia que teria de ser
assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas
características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da
crise sem estender a mão à Banca internacional. Um exemplo perigoso demais.

Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do
neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual
capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma
política interna onde os islandeses faziam sacrifícios,

mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios,
sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010.

O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua
caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias
melhores. Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu
com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem
que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem

a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas.

Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial,
pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações..
Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é
sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social
básica, não foi tocado.

Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos. Não tardarão
meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais
desenvolvidos do mundo.

O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos. Está a
cumprir, de A a Z, com as promessas que fez.

Se isto servir para esclarecer uma única pessoa que seja deste pobre país aqui
plantado no fundo da Europa, que por cá anda sem eira nem beira ao sabor dos
acordos milionários que os seus governantes acertam

com o capital internacional, e onde os seus cidadãos passam fome para que as
contas dos corruptos se encham até abarrotar, já posso dar por bem empregue o
tempo que levei a escrever este artigo.
Apetece gritar ...

A C O R D A I !!!
O inferno continua...
a gadanha ameaça o povo
e o cheiro a enxofre perdura no ar !

domingo, 13 de novembro de 2011


Quando a China mandar na Europa


Face à total falta de vontade que a Europa vai demonstrando em se verdadeiramente unir, para se defender, para se interligar, a única alternativa “encontrada por esta Europa desorientada” é pedir ajuda, agora, “fora da Europa”!

Já não são os países em aflição a pedir dentro da Europa aos seus poderosos – Alemanha, Áustria, Holanda, Finlândia, - mas são estes a proclamar que não ajudam quem não merece, pelo que, a ajuda em vez da União, tem que vir de fora da China, do Brasil, até da Rússia.

Claro que, quem está em melhores condições para ajudar uma Europa em desespero é quem tem mais dinheiro disponível, ou seja a China.

Mas ninguém, mesmo ninguém estará à espera que a China, que quer ultrapassar os EUA em 2020, passando a maior potência económica e militar / mundial, vai ajudar a Europa, sem querer com “isso” ter muitos proveitos.

A China, hoje, já é detentora de 60% da divida dos EUA, e vai passar a ser a dona de boa parte da Europa dado que esta não quer fazer um bloco unido, uma verdadeira União Europeia. A Europa, sempre se foi retalhada, e quando parecia ter mudado de rumo, voltou aos nacionalismos separatistas, exacerbados e estúpidos.

E, assim, vamos começar a ver os chineses a despejar cá para dentro dinheiro, e atrás disso virão todos os artigos produzidos na China, todas as ordens imanadas da China, a bandeira da U.E passará ta ter o fundo vermelho, e a Alemanha a Áustria, a Holanda e Finlândia, terão como primeira língua: o chinês. Os mais atrasados, já nem língua terão….

Em vez de termos um mundo global com parecerias igualitárias entre Europa, EUA, China, Índia, Brasil, Japão e Rússia, vamos pôr-nos a jeito para a China tudo dominar, por total incompetência, incapacidade e estupidez europeia. Sem dúvida que o mundo de hoje, não tem líderes, tem pequenos e maus chefes, e o único que seria capaz, Obama, está amarrado a uns republicanos, ultraconservadores, que só querem poder, pelo poder.

E quando a China se instalar em força aqui na Europa, teremos obrigatoriamente que obedecer. Viva a China, por ser hoje capaz de sozinha fazer o que todo o Ocidente se incapacitou de fazer.


Augusto Küttner de Magalhães

Novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

À ATENÇÃO DA "DUPLA" MERKEL/SARKOZY:


Troca de cartas publicadas na revista Stern.

Há algum tempo, foi publicada na revista Stern, uma “carta aberta” de
um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”,
com os seguintes título e sub-título:

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos,
agora tem de salvar também a Grécia!

Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro,
agora, em vez de fazerem economias, fazem greves

Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família.
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum,
com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca
de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de
qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.
O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro.
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até
agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o
povo que mais gasta em bens de consumo
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa
através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a
responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a
responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir
aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os
gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm
tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e
dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.
Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram,
não vão mais adiante!!!

Na semana seguinte, a Stern publicou uma carta aberta de um grego,
dirigida a Wuelleenweber:

Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado
público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os
meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que
por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um
número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de
vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos
concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os
principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas,
infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais),
telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço
de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos,
dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são
fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo
desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes
empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos
políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns
quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados
de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência,
espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te
a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE,
da JUSTIÇA e do CORRECTO.
Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou.
QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter
saldado as suas obrigações para com a Grécia.
Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a
Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações
estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que
ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que
ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da
Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares
durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações,
perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas,
pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o
determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de
dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960
gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil
mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na
Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., et.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos
ideais humanísticos da cultura grega.
Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se
incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros
anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas
continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque
cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos
sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos
viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de
comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta
situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de
vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as
suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da
Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais
de onde.
Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União
que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos
se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens
industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já
que vocês também disso são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!
Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados,
que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de
Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao
lado das obras dos meus antepassados.
Cordialmente,
Georgios Psomás

Apetece dizer:
toma e vai-te curar!
(in Anónimo Sec XXI)